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O futuro é agora

Seminário realizado pela Marel em São Paulo apresenta oficialmente ao Brasil a tecnologia de coextrusão na produção de salsichas e linguiças.

Por Fernando Savaglia

Nos últimos dias 4, 5 e 6 de julho a Marel, empresa líder mundial em fornecimento de equipamentos e sistemas avançados para a indústria de processamentos de alimentos, promoveu em São Paulo um seminário com o objetivo de familiarizar os principais fabricantes nacionais de alimentos processados à base de proteína animal com o sistema de coextrusão na fabricação de linguiças e salsichas.
Conhecido também como QX, o processo, difundido com sucesso na Europa e nos Estados Unidos, apresenta inúmeras vantagens em relação aos métodos de fabricação convencionais.

Arte da CoextrusãoO evento contou com a participação de bioquímicos, profissionais de marketing, engenheiros de alimentos e técnicos da área de tecnologia e desenvolvimento de produtos dos grandes players do segmento, que puderam acompanhar in loco a nova tecnologia em ação em um frigorífico em São Bernardo do Campo. Em seguida, os convidados foram levados à tradicional churrascaria Fogo de Chão na zona sul da capital paulista para degustar os produtos.

“O que estamos apresentando neste seminário é revolucionário em termos de Brasil”, observou o gerente geral da Marel, Marcelo Milani. “O processo elimina a questão do uso da tripa artificial ou natural. É feito por intermédio de um gel que tem uma secagem instantânea. Um bico de injeção aplica o gel ao redor da massa, que posteriormente é solidificada com um banho de salmoura, gerando uma tripa contínua feita no momento do embutimento”, explicou.
 

Benefícios

Marcelo Milani, gerente geral da Marel, ressaltou alguns dos inúmeros benefícios da tecnologia se comparada à produção tradicional. “O equipamento pode gerar uma tonelada- hora sem intervenção alguma. Além da maior produtividade, o risco de contaminação é baixíssimo, já que é praticamente inexistente a manipulação humana do produto”.

Sobre a tecnologia

Instado a esclarecer as razões da defasagem do Brasil em relação à tecnologia da coextrusão, Milani explicou, “Nossa ideia para esse evento foi a de apresentar o processo para uma plateia multidisciplinar, que pôde ver, tocar e provar o produto, avaliando o processo sob diferentes perspectivas, quebrando alguns preconceitos e paradigmas a respeito deste tipo de processo.  Além do custo ser relativamente baixo, o equipamento é compacto e pode conviver com o processo já existente nas plantas.  Havia também uma preocupação em relação ao fornecimento do gel. Essa questão já está completamente resolvida, pois hoje a Novaprom, empresa do grupo JBS, fabrica um gel de excelente qualidade  com tecnologia 100% nacional.
Presente também no evento, Beatriz Clark, diretora técnica da Novaprom, explicou: “há cerca de um ano fizemos um acordo para o desenvolvimento do gel. Foi um processo rápido e nosso produto se comportou muito bem no equipamento da Marel”. A profissional ressaltou ainda a qualidade obtida graças à parceria: “existem vários tipos de gel para extrusão, a Marel optou por um com colágeno para produtos cozidos e outro de colágeno com alginato para produtos frescos. Desenvolvemos um produto que alia resistência com flexibilidade”.

Aspectos que colocam a ainda inédita tecnologia no Brasil à frente do processo tradicional

Ao fazer uma breve explanação para os profissionais convidados, Rogivaldo Oliveira, gerente de vendas da Marel, responsável por esse tipo de equipamento , explicou: “podemos destacar não só a melhor qualidade do produto que chega ao consumidor, mas também a economia, a capacidade de maior automação e a segurança alimentar”.
Oliveira ressaltou ainda a confiabilidade que o processo gera ao fabricante: “o produto pode ser cozido, assado, grelhado ou colocado no micro-ondas sem problemas quanto à forma de preparo, pois o gel vai resistir a qualquer processo térmico”.

Diminuição da manipulação

“no caso de produtos cozidos podemos reduzir até 80% da mão de obra  e, mesmo para os frescais, há uma redução na mão de obra significante”.

O gerente de vendas da Marel revelou estimativas que dão conta de que a coextrusão aumenta de três a seis meses o shelflife dos produtos cozidos nas gôndolas, assim como cerca de dez dias para os frescos em ambientes refrigerados. “Isso sem contar o ganho em produção, visto que desde a entrada da massa até a saída há uma redução de 30 a 60% do tempo de processo”, complementa.

Degustação
Durante a degustação os profissionais puderam apreciar tanto linguiças como salsichas produzidas com a nova tecnologia: “a mordida é boa e o gel não está interferindo no sabor do produto, o que é muito interessante”, opinou Rodrigo Schwert, coordenador em desenvolvimento de processos da Aurora. 
Opinião semelhante teve o especialista de desenvolvimento de processos da Brazil Foods, Henrique Matar, que acrescentou: “tanto o processo tradicional da tripa natural como este mais moderno podem coexistir. Cada um com sua vocação”.

Preocupação do setor, a nova tecnologia tem também grandes vantagens em relação à sustentabilidade: “o descarte da tripa de celulose gera um problema ambiental e uma complicação às empresas. O gel faz parte do produto e não há essa preocupação, além de seu processo de fabricação ser muito menos agressivo ao meio ambiente do que o tradicional”, garantiu Rogivaldo Oliveira, da Marel.

Esse aspecto também repercutiu entre os convidados: “em relação à sustentabilidade, não há duvidas de que a coextrusão é muito vantajosa. Há a preocupação das empresas do setor em atender essa demanda da sociedade”, complementou Matar.

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